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Implicações psicológicas impostas pela pandemia de Covid-19

15/05/20 |

UMA ENTREVISTA COM MARIA JÚLIA KOVÁCS

A pandemia do Covid-19 tem deixado a humanidade exposta a um vírus, muitas vezes letal e aos efeitos colaterais de medidas sociais rígidas para tentar contê-lo. Além dos claros impactos negativos na economia, no sistema de saúde e em outras áreas, exaustivamente noticiados pela mídia, um drama humano se revela perverso: o de milhares de famílias que perdem, em curto espaço de tempo, entes queridos sem ter, ao menos, a chance de despedida.

Em todas as sociedades, os rituais de luto ocupam espaços simbólicos na vida das pessoas, cumprindo uma função psicossocial importante no processo de retomada da vida a partir da perda de um familiar ou pessoa de convívio frequente. Em contextos como os que são vivenciados atualmente, diante da pandemia do novo coronavírus, surge a indagação: “Qual o impacto de não poder despedir-se do corpo de um familiar?”.

Convidada pelo jornal digital Nexo a responder essa e outras perguntas, em uma entrevista publicada no portal www.nexojornal.com.br, no dia 13 de abril de 2020, a psicóloga Maria Júlia Kovács, explica a função do luto e dos rituais fúnebres na sociedade e o impacto da privação da despedida de um ente querido. A livre docente do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), na mesma entrevista, sugere ainda atitudes para “sobreviver” emocionalmente no contexto causado pela pandemia.

Neste artigo, o GAAPAC resume, para reflexão, três pontos tratados na entrevista: a simbologia do luto, o impacto da não despedida e as atitudes direcionadas à “sobrevivência” emocional.

Simbologia do luto – Em relação à “importância do luto e dos rituais fúnebres do ponto de vista psicológico”, Kovács ressalta que, quando há perda de uma pessoa querida, ocorre um desequilíbrio na vida das que experimentam a perda. “Os rituais são ações e atividades que ajudam a organizar esse processo de desequilíbrio presente em situações de adoecimento, de finalização da vida, da morte e pós-morte. Esses rituais têm valor simbólico para a pessoa, para uma família, para uma comunidade. Podem ser ações individuais ou coletivas, e sua importância está na construção de significado, na quebra do isolamento. É algo que pode trazer segurança”, explica Kovács.

Impacto da não despedida – Ao ser perguntada sobre o impacto de não se poder realizar os rituais fúnebres de um membro da família pelo perigo de contágio, Maria Júlia Kovács afirma que o impacto é grande, uma vez que os rituais de luto incluem ações que estão proibidas nesse contexto de pandemia. “Ver e tocar o corpo, falar as últimas palavras, receber os familiares mais distantes, ter orações ou outros rituais de forma coletiva são coisas muito importantes”, diz a psicóloga. Diante da privação de uma despedida da forma habitual, ocorre o que ela chama de “luto complicado”. “O luto complicado é algo que pode levar o enlutado ao adoecimento físico e psíquico, e também a suicídios”, revela.

“Sobrevivência” emocional – Ao final da entrevista, a psicóloga sugere a prática de cinco atitudes que podem contribuir para manter a mente saudável durante o surto de Covid-19. A primeira diz respeito a evitar o consumo de notícias ruins a todo o tempo por qualquer canal de comunicação, seja por televisão, rádio, jornal, Internet ou por aplicativos de celular. A segunda é “estabelecer uma rotina diária” com atividades diversificadas.

A terceira atitude é manter “contatos pessoais diários” com membros da família e com amigos, de preferência, por meio de uma comunicação com vídeo. Uma quarta atitude direciona a atenção e ação para o próximo, com a prática da solidariedade. E, por fim, a quinta atitude diz respeito ao apoio psicológico quando necessário. “Atualmente, há várias ofertas de atendimento psicológico, muitas delas gratuitas por meio de ajuda telefônica, chats ou outras formas virtuais gratuitas”, diz Maria Júlia Kovács, lembrando ainda que “isso não é fraqueza, não é vergonha” e que só aumenta a capacidade das pessoas de lidarem com situações extremamente difíceis.

A entrevista com a psicóloga Maria Júlia Kovács está disponível na íntegra no portal do jornal Nexo e pode ser lida a partir do link abaixo.

Link para a entrevista: https://www.nexojornal.com.br/entrevista/2020/04/13/Luto-medo-e-ansiedade-o-sofrimento-psicol%C3%B3gico-na-pandemia

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